Treze de Maio de 2012, Dia de Nossa Senhora de Fátima
Ontem recebi o resultado de mais um exame completo do sangue. Pelo que entendi, estou com a saúde inteiramente recuperada.
Na devoção do povo católico, Maria tem um lugar especial, coisa que nossos irmãos de outras igrejas cristãs não entendem. Alguém pode achar que Jesus possa ter alguma coisa contra a posição especial que Maria ocupa na devoção dos católicos? Maria não afasta ninguém de Jesus. Pelo contrário, ela que passou sua vida terrena para trazer ao mundo o Filho de Deus, de lá do Céu quer conduzir-nos ao encontro do Senhor. Como diz a Congregação Mariana: Por Maria a Jesus. O título geral de NOSSA SENHORA é uma flor bonita que surgiu no jardim da devoção popular, um nome com sabor especial na língua portuguesa.
Na minha fé mais racional não existe lugar especial para este ou aquele título que Maria recebeu em quase dois mil anos de cristianismo. Alguns desses títulos comemoram aparições de Maria a pessoas escolhidas por ela, quase sempre crianças ou jovens, com mensagens especiais para a Igreja e para o mundo em tempos difíceis.
Aparições? A Igreja examina com cuidado tais fenômenos, antes de reconhecer neles alguma dimensão sobrenatural e acolher as mensagens recebidas por videntes e apoiar alguma nova devoção. O caso mais singelo e mais difícil de ser reconhecido como milagre é o de Nossa Senhora Aparecida, devoção que surgiu a partir de uma imagem tosca de Maria achada por pescadores. Um achado facilmente atribuído ao acaso do encontro de uma imagem perdida por alguém, ou jogada no rio nalgum ataque de protestantismo, talvez por antigos imigrantes suíços. Vejo uma estranha semelhança com a imagem de Nossa Senhora de Einsiedeln, um santuário antigo na Suíça.
É difícil “provar” que o achado da imagem foi milagre. Mesmo em acontecimentos de mais difícil explicação natural, aos que não querem aceitar intervenções diretas de Deus sempre é deixada a liberdade de escolha entre crer ou não aceitar nenhuma “prova” de milagres.
Diante de notícias sobre curas e aparições, a Igreja leva tempo para examinar os fenômenos com cuidado. Antes de reconhecer uma cura como milagrosa, exige investigações cuidadosas de médicos, também de protestantes ou ateus, sobre a possibilidade de explicações naturais.
Quando a Igreja vê razões suficientes para atribuir credibilidade especial a uma aparição e à mensagem apresentada pelos “videntes”, não se perde na procura de explicações sobre a natureza das aparições, mas também é muito reticente em dar seu apoio a novas devoções em torno de fenômenos que ainda admitem explicações naturais da ciência e da psicologia, e até mesmo da parapsicologia.
Atualmente são examinados os acontecimentos e as mensagens de Medjugorge, e também as que o “vidente” Pedro diz receber de Maria em Anguera, perto de Feira de Santana. Nesse caso, o reconhecimento de um recado direto do Céu fica dificultado pela semelhança da sua recepção de mensagens de Maria com as mensagens psicografadas que adeptos do espiritismo dizem receber de espíritos desencarnados.
O Pedro fez uma palestra bem participada aqui em Jequié. Tive a impressão de um rapaz simples e sincero. Alguns estranham a quantidade e da duração das aparições e mensagens apresentadas em Medjugorje e Anguera e em outros lugares. O essencial das mensagens é sempre o mesmo, de pedir crescimento na fé, conversão de vida, penitência, obediência aos mandamentos de Deus e oração. Algumas mensagens recebidas por Pedro têm pormenores que incomodam certos setores, dentro e fora da Igreja.
Qual seria o sentido das aparições e de outras intervenções milagrosas de Deus no momento atual da história humana? Penso que Deus quer oferecer uma luz aos jovens desorientados nas trevas deste mundo confuso. Na nossa Civilização Tecnocom, na era da tecnologia e das comunicações sociais, o tempo das pessoas é ocupado por tantas solicitações que não sobra tempo para filosofia e religião. Vivemos na correria de um tempo onde a maioria não tem tempo para pensar e se deixa levar pela propaganda mais forte da mentalidade dominante do politicamente correto.