Pensamentos de Paciente, 5

maio 14th, 2012

Treze de Maio de 2012,  Dia de Nossa Senhora de Fátima

Ontem recebi o resultado de mais um exame completo do sangue. Pelo que entendi, estou com a saúde inteiramente recuperada.

Na devoção do povo católico, Maria tem um lugar especial, coisa que nossos irmãos de outras igrejas cristãs não entendem. Alguém pode achar que Jesus possa ter alguma coisa contra a posição especial que Maria ocupa na devoção dos católicos? Maria não afasta ninguém de Jesus. Pelo contrário, ela que passou sua vida terrena para trazer ao mundo o Filho de Deus, de lá do Céu quer conduzir-nos ao encontro do Senhor. Como diz a Congregação Mariana:    Por Maria a Jesus. O título geral de NOSSA SENHORA é uma flor bonita que surgiu no jardim  da devoção popular, um nome com sabor especial na língua portuguesa.

Na minha fé mais racional não existe lugar especial para este ou aquele título que Maria recebeu em quase dois mil anos de cristianismo. Alguns desses títulos comemoram aparições de Maria a pessoas escolhidas por ela, quase sempre crianças ou jovens, com mensagens especiais para a Igreja e para o mundo em tempos difíceis.  

Aparições? A Igreja examina com cuidado tais fenômenos, antes de reconhecer neles alguma dimensão sobrenatural e acolher as mensagens recebidas por videntes e apoiar alguma nova devoção. O caso mais singelo e mais difícil de ser reconhecido como milagre é o de Nossa Senhora Aparecida, devoção que surgiu a partir de uma imagem tosca de Maria achada por pescadores. Um achado facilmente atribuído ao acaso do encontro de uma imagem perdida por alguém, ou jogada no rio nalgum ataque de protestantismo, talvez por antigos imigrantes suíços. Vejo uma estranha semelhança com a imagem de Nossa Senhora de Einsiedeln, um santuário antigo na Suíça.  

É difícil “provar” que o achado da imagem foi milagre. Mesmo em acontecimentos de mais difícil explicação natural, aos que não querem aceitar intervenções diretas de Deus sempre é deixada a liberdade de escolha entre crer ou não aceitar nenhuma “prova” de milagres.

Diante de notícias sobre curas e aparições, a Igreja leva tempo para examinar os fenômenos com cuidado. Antes de reconhecer uma cura como milagrosa, exige investigações cuidadosas de médicos, também de protestantes ou ateus, sobre a possibilidade de explicações naturais.

Quando a Igreja vê razões suficientes para atribuir credibilidade especial a uma aparição e à mensagem apresentada pelos “videntes”, não se perde na procura de explicações sobre a natureza das aparições, mas também é muito reticente em dar seu apoio a novas devoções em torno de fenômenos que ainda admitem explicações naturais da ciência e da psicologia, e até mesmo da parapsicologia.  

Atualmente são examinados os acontecimentos e as mensagens de Medjugorge, e também as que o “vidente” Pedro diz receber de Maria em Anguera, perto de Feira de Santana. Nesse caso, o reconhecimento de um recado direto do Céu fica dificultado pela semelhança da sua recepção de mensagens de Maria com as mensagens psicografadas que adeptos do espiritismo dizem receber de espíritos desencarnados.

O Pedro fez uma palestra bem participada aqui em Jequié. Tive a impressão de um rapaz simples e sincero. Alguns estranham a quantidade e da duração das aparições e mensagens apresentadas em Medjugorje e Anguera e em outros lugares. O essencial das mensagens é sempre o mesmo, de pedir crescimento na fé, conversão de vida, penitência, obediência aos mandamentos de Deus e oração. Algumas mensagens recebidas por Pedro têm pormenores que incomodam certos setores, dentro e fora da Igreja. 

Qual seria o sentido das aparições e de outras intervenções milagrosas de Deus no momento atual da história humana?  Penso que Deus quer oferecer uma luz aos jovens desorientados nas trevas deste mundo confuso. Na nossa Civilização Tecnocom, na era da tecnologia e das comunicações sociais, o tempo das pessoas é ocupado por tantas solicitações que não sobra tempo para filosofia e religião. Vivemos na correria de um tempo onde a maioria não tem tempo para pensar e se deixa levar pela propaganda mais forte da mentalidade dominante do politicamente correto.

O bicho papão da inflação

maio 11th, 2012

Inflação, um velho bicho papão invocado para amedrontar os pobres.

Quanto mais procuro desvendar os mistérios das teorias econômicas que nas crises sucessivas da economia mundial estão mais perdidos que cegos em tiroteios, menos me convencem os economistas que apresentam o combate à inflação como prioridade absoluta da política econômica do Brasil.  Tenho a impressão que procuram acima de tudo defender os interesses do seu patrão, o capital financeiro. Invocam o bicho papão da inflação do século passado para manter o povo conformado com a enorme distância que separa os pobres dos ricos.

Anos atrás escrevi um artigo sobre a prioridade do capital financeiro num governo trabalhista. Mas a minha crítica à política econômica a serviço dos ricos vem desde o lançamento do Plano Real por FHC. Seis meses antes enviei ao Governo do Itamar um artigo sobre a necessidade de uma reforma monetária radical que não se limitasse a mudar o nome da moeda e tirar alguns zeros das notas. O Plano Real apresentou uma reforma monetária parecida, mas com duas diferenças:

Na minha proposta, a âncora da nova moeda não seria o dólar, mas o ouro.   A manutenção dos serviços públicos e dos investimentos necessários não se faria por meio da tomada de empréstimos a juros absurdos, mas por meio de uma corajosa emissão de moedas e notas, facilitada naquele momento pela escassez de moedas em circulação, dinheiro que ninguém mais guardava em casa para perder valor.

Tenho uma proposta para estudantes de economia: Fazer um trabalho escrito sobre o que o Brasil de hoje podia ser, se em 1995 tivesse adotado uma reforma monetária com as duas diferenças acima que estavam na minha proposta.

Cada vez mais está ficando claro para mim que a prioridade absoluta do combate à inflação nas políticas econômicas atuais, garantida por paralisantes “metas” de inflação, não procura tanto a proteção do parco dinheiro dos pobres, mas do capital dos ricos, do capital financeiro.

Para que serve outro componente recessivo de nossa política econômica medrosa, a exigência do depósito compulsório que chega ao absurdo de esterilizar 43 % dos recursos disponíveis no Banco Central, se não for para segurar os juros nas alturas? Considero o dinheiro como outra mercadoria qualquer sujeita às leis do mercado: Quanto mais escassa a mercadoria, mais se paga por ela. É o que o capital financeiro quer: Que os seus empréstimos tenham um preço alto, que custem muitos juros. Outro favor que o governo e os donos do dinheiro prestam ao capital financeiro: Incentivar o povo a comprar fiado e viver endividado.

Para manter os pobres conformados com a opção pelos ricos, os donos do dinheiro e do poder apresentem a inflação como inimigo maior dos pobres e ficam misturando alhos e bugalhos nos índices oficiais da inflação.

Sem medo de ser ridicularizado pelos donos da ciência econômica, este bispo do interior da Bahia metido a economista apresenta algumas provocações sobre a necessidade de perceber que certos aumentos de preços são bons para todos. Por exemplo, o custo maior de cigarros e bebidas e outras coisas prejudiciais à saúde.

Outros aumentos prejudicam apenas o luxo dos ricos e favorecem a economia do país inteiro. Por exemplo, o preço maior de viagens ao exterior e de produtos importados, aumento que seria consequência de um Real de valor mais real, abaixo de meio dólar, e abriria caminho para a recuperação da indústria nacional sem a necessidade de medidas protecionistas arbitrárias. 

Muito bem, presidente Dilma! Até que enfim o governo do PT começa a mostrar a que veio, em vez de limitar-se a remendos no sistema financeiro e à distribuição de esmolas aos pobres.  Tais esmolas são dadas com a intenção de prestar um alívio imediato a quem está precisando, mas podem ser interpretadas como compra de votos. Agora o seu governo está começando a mexer nas estruturas econômicas que vinham favorecendo os donos do capital pelos juros absurdos. Mesmo que tais reformas venham provocar agitações dos que perdem vantagens, é importante continuar com firmeza nesse caminho e no combate à corrupção na administração pública e na política. Parabéns, presidente Dilma, continue firme no caminho para um Brasil de oportunidades iguais para todos!

Termino apresentando alguns números aproximados sobre o presente e sobre o caminho para um Brasil mais desenvolvido para todos. No ano passado, o Governo pagou para 10 milhões de ricos mais de 200 bilhões em juros sobre a dívida pública interna, pelo menos dez vezes mais do que tudo que distribuiu para 50 milhões de pobres no Programa Bolsa Família.  

Com outras palavras, os juros da dívida pública interna transferiram mais de 20 000,00 para cada rico, enquanto os programas sociais especiais doaram menos de 400,00 para cada pobre. Não é por nada que os turistas brasileiros são grandes gastadores nos templos do consumismo mundial e grandes investidores em Miami e nos outros refúgios dos milionários.

Reduzindo os juros sobre a dívida pública interna para níveis civilizados, o Governo terá mais cem bilhões por ano para investir no desenvolvimento do país, dinheiro que deverá ser usado principalmente para melhorar a infra-estrutura das regiões menos desenvolvidas. Convido os economistas profissionais a confirmar ou desmentir meus números. Sei que tais mudanças não se farão sem resistências, mas sei também que o Brasil tem recursos naturais suficientes para chegar ao terceiro lugar na economia mundial.

Pensamentos de Paciente, 4

maio 10th, 2012

Quarta Feira, dia 25, Dia do Evangelista Marcos.

Ontem ainda fizeram um exame de Ressonância Magnética da minha barriga. Confirmou os resultados anteriores: Passagem obstruída quase no início dos intestinos, no duodeno, perto do pâncreas. Ainda bem que não fizeram logo um buraco para ter certeza se era tumor de câncer, mas recorreram à última possibilidade de verificação, uma eco-endoscopia que não apenas vê a situação no lugar com clareza, mas ainda traz o material para fazer biópsia. Uma nova tecnologia que no Brasil só existe em São Paulo.

Para conseguir para hoje a marcação desse exame complicado no Sírio-Libanês e logo depois voltar com os primeiros resultados foi importante a presença do padre Vítor, o apoio de longe do Dr. Paulo César, a presença naquele hospital da doutora Juliana, esposa do Dr. Ronaldo que trabalha no HUSP onde estou passando a semana amarrado no soro.

Quinta Feira: Acordando melhor. 

Chegam informações muito boas: Ausência de indícios de malignidade no material da biópsia. MILAGRE ???  Ao ler o salmo 149, cheguei a levar um susto diante de um texto que parecia dirigido diretamente a mim:  

“O Senhor ama seu povo e coroa de vitória os seus pequenos.    Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem dos seus leitos, com louvores do Senhor em sua boca, e espadas de dois gumes em sua mão…

 O salmo ainda fala em combater inimigos, numa mentalidade muito presente no AT, superada pelos ensinamentos de Jesus que diz que devemos aprender a amar até os inimigos. Ainda podemos rezar tais salmos, pedindo ajuda para vencer os inimigos que atrapalham o convívio familiar e político em justiça, paz e amor, e perturbam a construção de um mundo melhor.

Muito precisamos também da ajuda da graça divina para derrotar os nossos inimigos internos:     Preguiça, inveja,  vaidade, raiva, e a cobiça egoísta de riquezas e prazeres. 

Mas agora é hora de louvar a Deus e agradecer a todos que rezaram por mim, especialmente aos que diretamente colaboraram para sair da preocupação de uma intervenção cirúrgica complicada para a tranquilidade de um tratamento de inflamação com antibióticos.

Milagre? Por uma estranha coincidência, desde Março tenho no meu Blog uma reflexão sobre milagres e milagreiros, diante da crescente propaganda de “milagres” de cura e prosperidade por pregadores que apresentam tais sinais como apoio direto do “seu” Deus poderoso para ganhar adeptos contribuintes.   

Numa semana de hospital tive tempo para conhecer melhor os argumentos de um número crescente de pregadores milagreiros da Universal, da Mundial, da Internacional e de outras grupos mais novos que se dizem cristãos, e do Espiritismo e de outras tendências de verniz religiosa que fazem sua propaganda, mas também apresentam boas mensagens tiradas do Evangelho e de outras fontes mais antigas e mais novas. Continuo seguindo o conselho de São Paulo: Examinai tudo, e guardai o que for bom.

A parte mais negativa nas pregações de pastores de igrejas separadas da unidade da igreja que tem sua origem no primeiro século é a repetição de certos chavões contra ensinamentos da igreja católica que lhes parecem alheios ao Evangelho. Um pastor chegou a dizer no rádio que Jesus não teria confiado a Pedro uma missão especial de direção na Igreja. Será que nunca viu certos textos que constam da Bíblia de todos os crentes?

Outros insistem em alegar uma proibição de imagens para condenar as nossas imagens de santos que confundem com os ídolos dos pagãos. Nunca leram o texto onde Deus manda Moisés fazer imagens até de anjos? Por outro lado, não seria melhor que a igreja católica insistisse menos em certas devoções a determinados santos, ou em determinados títulos que damos a Maria que gostamos de chamar de Nossa Senhora?

O problema espiritual e filosófico do nosso tempo agitado é o seguinte: Como encontrar o tempo para examinar tudo? Como escolher o produto melhor na variedade de propostas no supermercado de religiões e igrejas? Quanto a mim, tive o tempo e o cuidado de fazer uma boa escolha. Tenho certeza que os dez mandamentos da Bíblia dos hebreus e os ensinamentos de Jesus no Evangelho são o caminho melhor para organizar o convívio entre os seres humanos e construir o futuro da vida humana na terra. 

Quanto à tendência atual de fazer da religião cristã um meio para conseguir favores especiais de Deus para adeptos de alguma igreja, me parece o desvio pior que apareceu até agora nos vinte séculos de cristianismo. A fé cristã não é para conseguir de Deus a realização dos nossos desejos, mas para realizar na nossa vida a vontade de Deus. A igreja católica também não está imune à tentação de procurar privilégios e favores pessoais de Deus, em vez de levar cada um a fazer a sua parte como colaborador do Senhor na realização do plano de Deus para todos.

Talvez você ainda continue com a pergunta: Afinal, o que aconteceu comigo foi milagre?     Para mim, nem estou muito interessado em saber. Acho que Deus prefere agir  “escondido” nas “causas segundas”, nas forças da natureza, cujo conhecimento e domínio confiou à nossa inteligência que dele recebemos com a vida neste mundo que nos foi dado por morada.

O que é que tens que não tenhas recebido, homem orgulhoso?  Posso receber a recuperação da saúde como sinal para fazer um esforço maior para realizar alguns sonhos que ainda tenho.    O sonho de contribuir com meu projeto de reflorestar o sertão para ajudar a melhorar a vida do povo nordestino na situação agravada com a seca atual que ainda está no começo. Não me sinto à vontade com orações de pedido por chuva. Sei que Deus pode intervir com milagres e creio nos milagres realizados para oferecer um apoio racional à fé dos presentes e dos outros que são felizes em crer sem ver.  Mas sei também que Deus nos deu a capacidade de aprender a conviver com as dificuldades inerentes à natureza da nossa terra e do nosso clima.

Outro sonho que ainda tenho é de colaborar para superar a oposição insensata entre Bíblia e ciência, entre fé e razão. Sou adepto da ciência e conhecedor dos seus limites. Confio numa Bíblia lida com o bom senso que Deus nos deu. No meu tempo de menino sonhava com uma carreira de cientista inventor. Ao aceitar minha outra vocação, o cientista deu lugar ao padre. Ainda me lembro de um argumento decisivo na hora da escolha: Mais do que fazer novas invenções, o mundo precisa aprender a usar melhor os conhecimentos que tem. Com a minha aposentadoria, talvez o bispo possa deixar lugar ao cientista. Parado é que não quero ficar.

Pensamentos de Paciente, 3

maio 3rd, 2012

Dias de incertezas  no HUSP de Bragança Paulista.

Descartada a opção de viajar para fazer os exames fora e voltar  para operar em Aparecida, fui transferido para o Hospital Universitário de São Francisco em Bragança.

Mais quatro dias no soro, sem comida e sem água. Horas de mente opaca, outras com lembranças e idéias avulsas que somem depois.

Radiografia e tomografia computadorizadas. Tomografia. Ultrassonografia. Endoscopia. Aparecendo um problema de obstrução do duodeno junto ao pâncreas.  Tumor?  Câncer? Abrir para conferir? E se for apenas uma inflamação que pode ser tratada com antibióticos?

Sem dores maiores, sem febre, pulso e pressão normal, umas férias forçadas. Tempo para ver televisão. Atento aos noticiários, fiquei impressionado com a quantidade de notícias inúteis: Sobre dores de jogadores e torcedores, e sobre pormenores de acidentes e crimes.

Notícias inúteis? Com tantas informações sobre sofrimentos causados por drogas e bebidas, como é que tantos jovens que se consideram antenados se deixam levar por traficantes perversos a entrar nos caminhos sem volta dos vícios? Todo dia ficam sabendo novidades sobre desastres causados por irresponsáveis que dirigem depois de beber, mas nem a lei seca consegue impedi-los de cometer tais crimes.

Todo dia presenciam notícias sobre os sofrimentos das famílias de drogados, e sobre tentativas desesperadas de jovens que procuram libertar-se da escravidão das drogas. Mesmo assim ainda se deixam seduzir por falsas promessas de prazeres efêmeros. Tenho a impressão que muitas pessoas não se orientam pela razão.

Desde meus tempos de estudante procuro seguir a recomendação de São Paulo: Examinai tudo e guardai o que for bom. Certo dia, na Suiça, um estudante muçulmano me questionou: Como é que você, que me parece inteligente, pode embarcar na vocação de padre, sem poder saber se a igreja católica tem a verdade?

 Respondi mais ou menos assim: Se um dia eu perder a confiança da fé na missão da Igreja de anunciar ao mundo a Palavra de Deus, vou cair fora para cuidar da minha vida.

Antes de entrar no Seminário, passei um ano em Zurique trabalhando numa fábrica para juntar dinheiro para pagar meus estudos, e também para repensar o meu caminho num ambiente desligado da Igreja. Visitei algumas aulas na Universidade e na Escola Técnica Federal.

Fui ouvir propostas de pregadores que faziam sua propaganda na cidade cosmopolita de Zurique. Lembro de um que se metia a provar que a Igreja Católica era do Anticristo anunciado no livro do Apocalipse que fala da besta com sete cabeças, profecia que se referia claramente à cidade de Roma construída sobre sete colinas.

Apareceu também um grupo precursor das igrejas-negócio, igreja dos homens de negócio com fé no evangelho pleno.  Era coisa de gente com dinheiro para dar. Faziam uma coleta muito bem organizada, com copos de plástico entregues numa ponta das filas e recolhidas na outra ponta. Um bom negócio com as moedas valiosas da Suiça, sem precisar impressionar com propaganda de milagres para conseguir adeptos a explorar.

Pensamentos de Paciente, 2

maio 1st, 2012

Pensamentos de Paciente, 2

Sábado, dia 20:  De ambulância para Santa Casa em Aparecida. Bem acolhido pelos irmãos Franciscanos. Solicitações repetidas de radiografias pelos médicos me parecem indicar algum problema que queriam ver melhor para saber o que fazer. Previsão de necessidade de uma operação nos intestinos. Logo lembrei as complicações do Vicepresidente de Lula que morreu de câncer nos intestinos depois de várias internações no Sírio-Libanês.

Não sou de fazer muita oração para mim mesmo. A não ser pedindo a Deus que me faça conhecer o que me cabe fazer. Não fico repetindo muito “Seja o que Deus quiser”, mas essa é minha atitude básica diante da vida. Um padre me perguntou se estava muito preocupado com minha saúde. Respondi que não, que tinha preocupações maiores com alguns problemas na diocese, com o futuro da humanidade, com a dificuldade da Igreja de levar aos jovens de hoje a Palavra de Deus.

Ironia do destino: No mês passado botei no meu Blog um texto com reflexões pessoais sobre a Campanha da Fraternidade. Insisti na afirmação que o mais importante para melhorar os serviços de saúde para todos é cada um cuidar primeiro da sua própria saúde. Agora estou aqui com a saúde abalada, inteiramente dependente dos cuidados do pessoal do hospital.

Acho que os serviços de saúde podiam perfeitamente dar conta do recado, se não precisassem cuidar de tantas doenças causadas por má alimentação, por excessos de comida e bebida e por drogas, se os hospitais não estivessem ocupados por tantas vítimas de acidentes provocados por beberrões irresponsáveis no volante. Dos acidentados, alguns culpados e outros inocentes. 

Diante da idéia que Deus bem podia intervir para que eu possa ter mais um tempo para realizar mais algumas coisas boas que quero fazer, logo me veio à memória o naufrágio de 40 jesuitas em viagem ao Brasil. Podiam ter realizado tanta coisa boa. Talvez até podiam impedir a expulsão dos jesuítas que tanto prejudicou o futuro dos índios e do país.

Vem a velha pergunta: Por que é que Deus permite tanta coisa ruim?  Por que não protege inocentes? Por que não impede a ação perversa de criminosos? São questões reforçadas diante de grandes desastres naturais e diante de crimes com muitas vítimas. Para meu pensamento lógico, a quantidade de vítimas não aumenta o peso da pergunta. Qualquer resposta depende das idéias que temos sobre a criação do mundo e a missão que o homem recebeu para cuidar da obra iniciada por Deus que nos deu esta terra limitada por morada.

Voltando ao momento atual: A questão agora è esta: Operar ou não operar? Se precisar operar, para que esperar mais tempo? Na dúvida sobre a existência de um tumor maligno: Fazer logo um primeiro corte na barriga para fazer uma biópsia para ter clareza sobre a situação?

Ainda bem que havia outra opção: Transferir para um hospital com maiores recursos de investigação. Lá vou eu, transferido em ambulância/UTI para o hospital universitário São Francisco em Bragança Paulista, administrada pela mesma congregação nova dos irmãos franciscanos.

Pensamentos de um Paciente

abril 30th, 2012

Dia 29 de Abril 2012

Muitas vezes me surgem idéias de noite. Às vezes levanto e registro para não esquecer.

Numa cama de hospital desde o dia 20, não dava para fazer anotações. Procurando nas gavetas da memória, vou tentar recordar algumas coisas, numa espécie de diário atrasado, desde o início da Assembléia da CNBB em Aparecida.

Dia 17: Participação normal na Assembléia. Na hora da Análise de Conjuntura, fiz uma pequena intervenção, criticando a visão tendenciosa de uma esquerda bitolada que ainda atribui ao sistema capitalista toda culpa por todos os males. O capitalismo tem defeitos, mas ainda não inventaram um sistema melhor para um mundo industrializado com tecnologia de produção. Isso até os ainda comunistas da China já descobriram. Não falei em termos tão contundentes, para não reforçar demais a minha “fama” de conservador.

O problema não está no capitalismo, mas nos capitalistas. A missão da Igreja não é trabalhar para derrubar estruturas e governos, mas para convidar a todos para uma conversão pessoal, para que todos, ricos e pobres, governantes e povão, aprendam a trocar seu egoísmo por um amor atuante que coloque o bem comum acima dos interesses pessoais.

Será que existe algum jovem tão egoísta que não tenha nenhuma vontade de colaborar na construção de um mundo menos injusto, com menos miséria, menos crianças morrendo de fome? Está na hora de todos cuidarem do futuro de uma terra que está chegando aos limites dos seus recursos naturais. Alguém é tão ignorante que nem consiga perceber que o mundo não pode oferecer a todos um padrão de vida de rico?

Será que uma juventude privilegiada anda tão ocupada em aproveitar as oportunidades de prazer do momento presente que não acha tempo para pensar nem no seu próprio futuro?

Como será o futuro da humanidade construído por jovens do presente que não querem nada? Nada além das alegrias efêmeras de noitadas em festas, das emoções de torcidas inúteis, dos prazeres de sexo sem amor e sem futuro, das ilusões de bebidas e drogas piores? Acontece que muitos ainda não descobriram um grande ideal que possa merecer a dedicação da sua vida. Alguns se dedicam a causas menores, se engajam em projetos sem importância para o futuro, num esforço que podia ser orientado para causas maiores.

Dia 18:   8°° De repente dor de barriga e malestar.  Vômito incontrolável em pleno Plenário. Ainda bem que havia uma lata de lixo bem ao meu lado. Fui levado ao médico de plantão que me botou no soro e sugeriu encaminhamento para um hospital. Preferi aguardar a evolução da situação até amanhã. Na volta ao hotel, tentativa de comer uma banana, que logo voltou. Noite horrível com três tentativas de beber água, que voltava duas horas depois com mais alguma coisa. Conclusão minha: Passagem fechada nalgum lugar das tripas. Logo me lembrei das operações complicadas nos intestinos do José de Alencar, Vice do Lula.

Apresento esses pormenores porque muitos perguntam como foi minha semana nos hospitais.

Quando achar mais um tempinho para escrever vou falar sobre o Sábado na Santa Casa da Misericórdia em Aparecida.

Milagres e Milagreiros

abril 13th, 2012

Novas divisões de cristãos

Vivemos num mundo confuso. Na política, na economia e na religião, e na convivência desses três elementos constituintes da vida em sociedade.

Que mundo teremos em 2020?  O que será do Brasil em 2050?  Seremos um país de participação democrática ou de domínio de partido único ou de algum caudilho da direita ou da esquerda? Um país desenvolvido em paz e justiça, onde todos possam conquistar uma vida digna com seu próprio esforço?

 Depende de nós. Depende de você que hoje é jovem. Você vai ser um peso morto carregado por outros, um consumista egoísta, ou construtor de um mundo novo? Se quiser fazer coisas boas, não deixe para começar a lutar amanhã. Quem faz o homem é o menino. A mulher se prepara na menina.

Quanto à religião dos cristãos, como será? Ou não haverá? Será que o mundo está caminhando para uma civilização pós-cristã, como dizem alguns cristãos pessimistas derrotistas e muitos ateus que cantam vitória antes da hora?

O Brasil, o maior país católico do mundo? Vai ser o maior país cristão?

Deixará de ser um país de maioria católica? Ainda terá maioria de cristãos?  Uma mentalidade laicista não quer que sejamos um país católico, nem cristão.    Nos países do Norte acontece uma debandada de cristãos de todas as igrejas. No Brasil, milhões de católicos abandonam a Igreja, mas a maioria deles não deixa a religião cristã, pelo menos por um tempo. Continuando assim, o Brasil ainda vai ser o país com o maior número de cristãos. 

Nossa civilização tecnocom está passando por uma crise existencial que abala os fundamentos da fé cristã por teorias de teólogos que duvidam da verdade histórica dos milagres da Bíblia. Por outro lado surgem falsos pastores com propaganda de novos milagres que apresentam como apoio divino à sua igreja. Entramos num conflito crescente entre uma razão sem fé e uma fé sem razão.

Está na hora de superar o combate insensato entre uma ciência que pretende ter explicação para tudo e uma exegese tradicionalista que não consegue ver que Deus se revela com palavras que possam ser entendidas por todos.

A revelação divina foi dirigida primeiro a ouvintes que não tinham condições de entender a mensagem numa linguagem das ciências de hoje e de amanhã. Quanto a nós, podemos descobrir naqueles textos o que Deus quer dizer para nosso tempo cheio de ciência. Tal entendimento não é isento de dificuldades. Se tudo fosse óbvio, onde ficaria a liberdade das pessoas? A Palavra de Deus tem muitos mistérios que podem servir de desculpas para quem não quer ver e aceitar a verdade, mas tem claridade suficiente para o homem que procura a verdade com sinceridade, mesmo que seja exigente.

Para um leitor superficial apegado ao pé da letra, a Bíblia ensina que o mundo foi criado em seis dias de 24 horas. No entanto, o texto diz que o sol surgiu no quarto dia. Como é que o dia podia surgir antes do sol? Teorias sobre tempos de evolução de milhões de anos cabem muito bem na fé do cristão. A própria Bíblia nos ajuda quando diz: Produza a terra seres vivos, plantas e animais.

Deus não precisa de materiais para construir nem é arquiteto de obras prontas. Deu o ponto de partida para tudo. Fez a terra para nossa morada e nos criou com a missão de tomar conta da sua obra. Aos adeptos do Big Bang  tenho uma pergunta de criança curiosa: Quem foi que fez a coisa que explodiu?

Desde o século passado prolifera no mundo o racionalismo sem fé dos ateus. Agora surge no Brasil e se espalha pelo mundo uma fé sem razões, em igrejas que prometem intervenções divinas para seus adeptos. Igrejas com fundadores e donos que atribuiram a si mesmos títulos de pastores e bispos e apóstolos.  Conseguem emocionar multidões e provocar manifestações de êxtase religiosa e sinais de cura milagrosa. Fazem propaganda com pessoas que se sentem curadas, e com sucessos financeiros de outras.  

No outro extremo temos teólogos que duvidam da verdade de intervenções divinas em tempos antigos, e até dos milagres relatados pelos evangelistas.   Um observador atento percebe nova confusão na história do cristianismo.

Para onde vai a Teologia?  Ou as teologias?  Escritores e Doutores da teologia deste século apresentam ensinamentos preciosos para sustento da fé do povo, mas também espalham teorias que esvaziam os fundamentos racionais da fé. Os Escribas e Doutores da Lei do tempo de Jesus também tinham a missão de instruir o povo na fé, mas não reconheceram em Jesus o Filho de Deus, nem o Messias anunciado pelos profetas.

Os evangelhos apresentam os milagres como sinais da presença de Deus em Jesus.  São manifestações do poder de Deus. Jesus mesmo explica o sentido dos milagres: As obras que faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim. 

Na ressurreição pascal de Jesus temos a prova maior da sua natureza divina. São Paulo nos diz: Se Jesus não ressuscitou, nossa fé não tem fundamento.      Mesmo assim, existem cristãos que duvidam da verdade da sua ressurreição e questionam a possibilidade de qualquer intervenção divina na história humana.  

Nós não vimos Jesus ressuscitado, mas a transformação realizada nos seus discípulos nos oferece razões para crer.

Nosso século começa com a proliferação de propaganda de novos milagres atribuídos a Jesus por pastores que prometem prosperidade e saúde aos seus seguidores. Copiam argumentos de Jesus para apresentar tais milagres como prova de apoio divino.

Não posso deixar de examinar a situação atual de maneira mais concreta. Pelo que sei, o onda atual de pregadores de milagres começou com a Universal do reino de Edir. Dela saíram novas igrejas: Internacional, Quadrangular, Mundial. Agora estão saindo muitos outros pastores que preferem ter sua própria igreja.

O aumento atual do poder da Mundial e a diminuição do reino da Universal transformaram a convivência de irmãos em pesadas críticas de concorrentes.  O “apóstolo” disse que não ia responder, mas agora reage com aumento da propaganda de milagres que apresenta como prova do apoio de Deus.

Para um observador independente que não tem o preconceito pseudocientífico da impossibilidade de milagres, o fenômeno do poder da Mundial que ainda vai crescer bastante provoca questionamentos que vou resumir em perguntas:

1)    Por que será que Jesus não fez tantos milagres na sua vida terrena quantos faz agora na Mundial pela palavra do fundador poderoso dessa igreja?

2)    Se tais milagres são obra de Deus, que razões terá Deus para dar um apoio especial à igreja do Valdemiro?       Será para mandar um recado ao mundo perdido no materialismo e no relativismo?

3)    Por que será que Deus preferiu enviar o Filho ao mundo num tempo que ainda não existia nem jornal, nem rádio, nem televisão, nem internet para levar a sua Palavra logo ao mundo inteiro?

4)    Por que Jesus esperou três dias para chamar o Lázaro de volta à vida terrena? Pergunto isso, porque a Mundial alega que nela acontecem ressurreições, mas nunca vai conseguir a ressurreição de um morto depois de três dias.

5)    Jesus fez aos seus discípulos alguma promessa de saúde e prosperidade?

6)    Por que o Pai não interveio para livrar o próprio Jesus do sofrimento da cruz?

7)    Para que tanta insistência em pedir tanto dinheiro?

Diante de obras boas da Mundial que consegue a recuperação de drogados e viciados em bebidas e de outras pessoas desequilibradas, lembro que Jesus disse que seus discípulos não devem impedir a ação de pessoas que expulsam demônios em nome dele sem ser do grupo dele. A igreja católica não consegue realizar uma boa formação cristã da maioria dos católicos. Deve valorizar o trabalho missionário de outras igrejas.   Também entre nós existem exageros na procura de cura. 

Ter fé não é pedir favores e privilégios a Deus, mas fazer a vontade do Senhor.

Jequié, 12 de Abril de 2012

Economia do Futuro

março 9th, 2012

Preparar um Futuro para Todos

Em 1995, quando a nossa dívida pública interna era de cem bilhões, avisei que juros acima de 15% iam levar a dívida a meio trilhão até o fim do século. Em vez de imprimir dinheiro para financiar seus serviços, o Governo preferiu tomar dinheiro emprestado e pagar os juros mais altos do mundo. Ainda no século 21, e mesmo num governo do PT,  a política econômica comandada por economistas do capital conservou os juros acima de 10%. São juros que agora transferem mais de cem bilhões por ano para engordar as contas dos credores. Bilhões que fazem falta nos serviços públicos para todos.

Agora, essa dívida está chegando aos dois trilhões. Já estaria em três trilhões, se a lei do “superávit primário” não reservasse 50 bilhões por ano para pagar uma parte dos juros. O pior nessa dívida é o seu custo. Juros de 15% ao ano fazem o valor da dívida dobrar em cinco anos. Outros países têm dívidas até maiores, mas dívidas contraídas para investir em infra-estrutura e serviços para todos, e não apenas para pagar lucros fabulosos aos detentores dos títulos públicos que defendem juros reais acima de 5%.

O nosso Governo gastou tanto dinheiro com juros acima de 15% até 1998 que o Brasil se tornou o eldorado para capitais especulativos que conseguiam dobrar de valor em poucos anos. Depois, a desvalorização forçada fez estragos, mas ajudou a equilibrar a balança comercial e recuperar a indústria prejudicada pelo valor irreal do Real,  

No novo milênio, os nossos juros ainda são os maiores do mundo. Continuam atraindo mais capitais pela oferta de novos lucros fabulosos. A cotação do Real subiu de novo. Baixou na transição para o governo Lula, mas voltou a subir. Agora, os responsáveis da política econômica finalmente percebem os prejuízos do Real forte. Começam a botar um freio na valorização do Real com algumas medidas paliativas de impostos sobre a entrada de capitais voláteis.

Enquanto nossos juros oferecem o lucro mais alto do mundo para atrair dinheiro que foge de países em crise, tais remendos vão apenas produzir a migração do capital para investimentos mais consistentes. Será que a compra de terras e de empresas e ações por estrangeiros será melhor para o futuro do país? Essas alienações se tornam dívida externa a ser paga com pesados dividendos sem fim. Por outro lado, brasileiros ricos aplicam e gastam dinheiro em Miami e outros paraísos, em vez de investir no Brasil.

Para conseguir que a nossa indústria volte a ser competitiva, não adianta reclamar contra a política econômica de outros países. Precisamos melhorar a nossa.

A redução atual da taxa SELIC, que ontem passou para 9,75%, me parece um passo importante para uma mudança real na política econômica. Se a diminuição da cotação do Real for acelerada por uma fuga do capital especulativo, os interessados nos juros altos vão tentar convencer a opinião pública com argumentos dos seus economistas que amedrontam o povão com o bicho papão da inflação.

As medidas recentes adotadas para trazer o Real para seu valor real podem pressionar a inflação. No entanto, são importantes para reduzir os gastos do Governo com juros, para aumentar os investimentos na infra-estrutura e recuperar a indústria do Brasil.

Os donos do capital e seus empregados até agora conseguiram deixar o povo com a idéia que a inflação prejudicaria principalmente os pobres. Não querem que possamos entender que existem componentes da inflação que prejudicam apenas os ricos.

Meu economês de camponês pode ser questionado por argumentos sofisticados de economistas adeptos de teorias complicadas de escolas variadas de economia, mas desde o começo do Real venho fazendo previsões e acertando quase todas.

Tenho uma teoria heterodoxa sobre a inflação que doutores em economia apresentam como inimiga maior do povo. Com o remédio genérico de “metas de inflação” querem esfriar o mercado aquecido. Querem vencer o sintoma da febre com aplicação de gelo.

Certos doutores em economia apresentam seus argumentos num economês tão difícil que me parecem não querer ser entendidos, mas apenas admirados na sua sabedoria.

Na realidade, a inflação não é o inimigo maior dos pobres, mas do dinheiro guardado que faz perder valor. Economistas defensores dos interesses do capital botam todos os tipos de inflação na mesma geladeira, para mobilizar o povo todo no combate contra qualquer inflação. Exemplos de inflação boa com o Real mais fraco:  

1)      Preços maiores de produtos importados de luxo, e de bebidas e cigarros.

2)      Custo maior em Reais de viagens para o exterior.  

3)      Atração de turistas estrangeiros pelo custo menor em Dólares e Euros.

4)      Preços mais competitivos dos nossos produtos no mundo. Eventuais preços internos maiores não vão pesar muito no orçamento familiar do brasileiro.

    Carros e gasolina também devem subir de preço, mesmo que isso pese sobre a inflação. Como ficará o futuro das cidades, com carros e motos em número mais que dobrado em cada década? Se continuar assim, o pedestre vai chegar ao seu destino antes do motorista com seu carrão. E o aquecimento global? E a poluição do ar?

Precisamos cuidar do desenvolvimento do país para criar empregos e melhorar a vida dos pobres. Mas estamos caminhando para o esgotamento irreversível dos recursos naturais da terra. Na situação atual da nossa morada comum, todos precisam aprender a combinar o crescimento com a proteção do ambiente para o futuro da humanidade.

Um futuro de paz depende de uma solidariedade maior entre pessoas e povos. Com os limites dos recursos naturais, a vida dos mais pobres só pode melhorar se os mais ricos se contentarem com um padrão de vida mais modesto. Amar o próximo já não será dar esmolas maiores, mas trabalhar para criar estruturas boas para todos. Precisamos passar a colocar o bem comum acima dos interesses pessoais de cada um.

Recursos limitados exigem solidariedade

março 6th, 2012

TERRA DE TODOS, VIDA PARA TODOS

A humanidade não dispõe de muito tempo para perceber que estamos caminhando a passos largos para um esgotamento irreversível dos recursos naturais da terra. Essa situação exige mudanças radicais de mentalidades e atitudes e ações de todos.

Desde as teorias de Malthus, analistas de visão capenga enxergam apenas o aumento da população mundial como causa do crescimento insustentável do consumo.  Assim, a única solução estaria na redução do número de bocas por métodos de controle de nascimentos, até por destruição de uma nova vida já presente no ventre materno.

O consumo de alimentos, água, energia e combustíveis aumenta com o número de consumidores, sim, mas cresce muito mais com o grande aumento do padrão de vida de algumas centenas de milhões.

O número de chineses, por exemplo, vem crescendo num ritmo inferior a 1% por ano, mas o consumo cresce perto de 10% por ano.  Em trinta anos a população da China aumentou menos de 30%, mas o seu PIB que mede o consumo se multiplicou por 17. Com isso ajudou o Brasil a crescer, mas contribuiu para o aquecimento global com suas consequências que ameaçam o futuro da terra.  

No Brasil temos algo parecido com o crescimento do PIB da China, só que o aumento nosso é da dívida pública interna nos tempos do Real, pelos juros sempre acima de 10% por ano, e mesmo acima de 15% até 2000. Esses juros absurdos fizeram a dívida passar de 100 bilhões em 1995 a meio trilhão no ano 2000, como “profetizei” em 95. Agora está chegando a dois trilhões, com a continuação de uma política econômica que privilegia o capital financeiro, num Governo de PT. Sobre a transferência aos ricos de tantos bilhões que deveriam ser investidos em serviços para todos, vou fazer outro texto, se ninguém me tirar o direito de falar.

A causa maior do esgotamento iminente dos recursos naturais não está no número maior de pessoas, mas na disparada do consumo por pessoa. Por isso, a solução não está na diminuição do número de bocas, mas na diminuição dos gastos dos mais ricos. O problema é: Como chegar a isso?

Como convencer a todos que o padrão de vida dos mais pobres só pode melhorar com a diminuição do padrão de vida dos mais ricos?  O ser humano é egoísta por natureza. Quanto mais dinheiro tem, mais ainda quer. O mundo precisa de um novo João Batista a pregar: Convertei-vos e fazei penitência. Será mais uma voz a clamar no deserto?

O Rio + 20 será decisivo para o futuro da terra, mas os problemas não serão resolvidos pelo poder de Governos e ONGs. Estamos todos no mesmo barco. Para construir um futuro melhor, todos devem aprender a colocar o bem comum acima dos interesses pessoais. A terra precisa de cidadãos menos egoístas e de estadistas mais altruístas.

Saúde para você!

fevereiro 29th, 2012

                                    CF 2012      Fraternidade para Saúde        

O manual da Campanha deste ano comenta os serviços públicos de saúde. Elogia o objetivo do SUS de oferecer um atendimento de qualidade a todos e indica caminhos para superar as deficiências que ainda existem. Uma conquista importante foi a diminuição da mortalidade infantil, mas a situação ainda precisa melhorar. 

Também a criança ainda não nascida tem o direito de ter sua vida protegida desde o ventre materno que deveria ser o lugar mais seguro do mundo, pelo amor dos pais. 

A Igreja tem o direito e a obrigação de defender o direito à vida, o fundamento de todos os direitos humanos. Defensores do aborto chegam ao absurdo de justificar práticas abortivas em nome dos direitos da mulher. Só falta proibir que a Igreja diga que provocar aborto é pecado.  O caso complicado de anencéfalos serve de pretexto para aqueles que pretendem liberar a eliminação de crianças até a hora de nascer.  Alguns países chegam a tolerar também que sejam mortas crianças já nascidas com defeitos, e velhos doentes, como foi feito por nazistas e outros que querem selecionar uma raça humana “melhor”. Uma tendência infelizmente apoiada por setores da ONU.

Quanto às praticas homossexuais é até perigoso dizer que são pecados. Pelo menos não são atentados diretos contra a vida. A Igreja deve deixar bem claro que o pecado não está nos sentimentos. Ter uma tendência, adquirida ou de nascença, é uma coisa, deixar-se levar por ela para procurar os prazeres do sexo fora do contexto da família unida pelo amor e chamada a colaborar com o Criador é outra. Todos devem aprender a não ceder a desejos contrários à vocação espiritual que nos diferencia dos bichos.

Denunciar as falhas nos serviços de saúde do Governo pode contribuir para melhorar, mas a CF deste ano é para motivar cada um a fazer o que pode pela saúde dele mesmo e dos outros. Fraternidade requer conversão pessoal para participar na construção de um mundo melhor para todos.      

Convertei-vos, e fazei penitência!        Convertei-vos e crede no Evangelho

Algumas observações podem ajudar a pensar para melhorar

1)      Muitas doenças são causadas por comportamentos pouco saudáveis.

2)      Milhões de pessoas estão doentes por comida mal escolhida.

3)      Milhões de pessoas estão doentes por não ter o que comer.

4)      Milhões de pessoas estão doentes por comer demais.

5)      Outros milhões estão doentes por falta de água limpa.

6)      Outros milhões têm doenças causadas por cigarros e bebidas.

7)      Alguns milhões estão em hospitais por causa de motoristas que beberam.

Com a eliminação dessas sete causas de problemas, os recursos atuais do SUS dariam para oferecer ao povo brasileiro inteiro um bom serviço de saúde. O problema é este: Como conseguir tais mudanças de comportamentos e atitudes?

No nosso tempo que está chegando aos limites do esgotamento dos recursos naturais, as mudanças necessárias só vão acontecer na medida em que passamos a colocar o bem comum acima dos interesses pessoais. O caminho para conseguir água boa e alimentação saudável pra todos passa por uma distribuição melhor dos recursos da terra, coisa que requer mudanças radicais, não só das leis, mas das pessoas.   

Se Deus pode tudo e nos ama, por que não nos dá de presente muita saúde, muitos amigos, prosperidade e tudo mais que queremos para nossa felicidade? Olhando bem, podemos ver que a maior parte dos sofrimentos é resultado da desobediência nossa ou de outros aos ensinamentos de Deus. Ele nos indicou o caminho da felicidade.

O primeiro passo no caminho de um mundo mais saudável é cada um cuidar de sua própria saúde, evitar tudo que possa causar doenças e atrapalhar o convívio com os outros. Muitas doenças têm suas causas na própria pessoa. A doença do alcoolismo, por exemplo, é causada pelo vício da bebida. Diz a CF que um em quatro brasileiros bebe demais, e uma em dez brasileiras também.

Além das doenças causadas pela bebida, ela ainda contribui para 60% dos desastres no trânsito com todas as suas consequências. Coisa pior ainda são os estragos da bebida no convívio familiar.  A miséria de milhões de crianças é agravada por pais que gastam dinheiro com bebidas e amantes e trazem doenças com esses pecados.

Está na hora de bolar uma campanha para valer contra o alcoolismo, algo parecido com a campanha contra os males do cigarro. Será mais difícil, porque os interesses envolvidos são maiores.     Um primeiro passo seria cobrar impostos mais pesados sobre bebidas e artigos de luxo.  Para não pressionar a inflação, fazer outra coisa importante: Eliminar impostos sobre alimentos básicos e serviços essenciais.

Outros estragos são causados por outras drogas que costumam ter seu início no vício da bebida e da maconha. O Governo deve entrar mais pesado contra traficantes, com a colaboração do povo que precisa estar atento e perder o medo de denunciar aqueles que estragam o futuro de tantos jovens para ganhar seu dinheiro. Mas a nossa missão mais importante não é reprimir, mas prevenir. Devemos educar os jovens para resistir às tentações dos vendedores de ilusões.

A humanidade já não tem mais muito tempo para desistir do caminho sem volta da exploração predatória dos recursos naturais.  A terra não consegue oferecer a todos uma vida de rico. Sem mudanças radicais de mentalidades e atitudes teremos conflitos piores que todas as guerras do passado. Devemos aprender a colocar o bem comum da humanidade inteira acima dos interesses de cada pessoa, ou de classes ou nações.

Estamos num tempo de pregadores milagreiros que prometem cura e prosperidade para seus adeptos, numa volta à mentalidade do Antigo Testamento que esperava de Deus prêmios terrenos para os fiéis e castigos para os outros. Falsos profetas ensinam que ter fé seria esperar de Deus a solução dos problemas, em vez de cada um fazer a sua parte para colaborar com Deus na construção de um mundo melhor para todos.

 Quanto aos que acham que Deus deveria fazer mais intervenções diretas do seu poder divino para resolver as dificuldades dos crentes e evitar doenças e desastres, vão aqui algumas dicas com perguntas para pensadores:

Quanto à saúde: Se não existissem doenças, quem daria valor à saúde?

Quanto ao problema da morte:  Será que a vida nesta terra seria melhor se ninguém pudesse morrer?    

Se a sua felicidade está em ter tudo que quer, ofereço uma pista para conseguir o que deseja: Para ter tudo que quer, é só querer apenas o que pode ter.

Bons serviços de saúde para todos!        Água limpa para todos!

Texto modificado e aumentado em 12 de abril