Lição que li por aí:

janeiro 23rd, 2012

Uma coisa é bem explicada quando é bem entendida.

Tal lição vale para palestra, aula, artigo, livro, e para sermão.  Em questões de fé precisamos aprender a falar a língua falada por Deus, a língua do amor.

Foi assim que Deus se deu a conhecer: Nos enviou seu Filho que entregou sua vida por nós.   Jesus é a Palavra de Deus para nós.  Falou por sua vida e nos deixou seus ensinamentos. Para entender sua língua, precisamos aprender a amar como Jesus amou.

Convertei-vos e crede no Evangelho!  Para aprender a amar como Ele amou, precisamos de fé. Muitos querem ver para crer. Outros preferem fechar os olhos para não ver.  A crise no mundo e na Igreja é crise de fé.  A pergunta de Paulo é para nosso tempo: Como podem crer sem ouvir?  Como podem ouvir, se ninguém anuncia?  Ninguém pode crer sem ter razões para crer.  Para muitos faltam fundamentos racionais para crer. Assim, sua fé depende demais das qualidades dos padres e de outras lideranças da Igreja.

Alguém poderá complicar a questão: O que vem primeiro: Fé ou conhecimento do Evangelho?   As duas coisas crescem juntas. Ninguém ama sem conhecer. Quem ama, procura conhecer.

Deus confiou à Igreja, aos cristãos, a missão de revelar ao mundo de hoje o seu amor e os seus ensinamentos por meio de atitudes e ações e palavras. Exemplos falam melhor que sermões.

Por outro lado, a fé é dom da graça divina. Sem mim, nada podeis fazer.  Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair.  Tal atração pode surgir em qualquer situação da vida. Mais com celebrações, palavras em cursos e encontros, leituras e reflexões pessoais. Sempre depende das atitudes da pessoa, da vontade de acolher a verdade, mesmo que seja exigente. Deus não cancela nossa liberdade, nem quando andamos por caminhos errados. Nem quando nos perdemos em becos sem saída.

Quanto aos fundamentos racionais da fé, são questionados por teorias que tentam explicar o surgimento do mundo sem Deus.  Quando a filosofia sadia explica que nada existiria se não existisse um Deus que tudo criou, qualquer criança pergunta quem foi que criou Deus, mas entende a explicação que Deus é aquele que não é feito por outro, o único que existe por si mesmo e criou tudo mais que existe. Com strings ou big bangs  e outras evoluções do passado e do futuro.  A Bíblia nos diz que Deus criou o homem com a incumbência de tomar conta do mundo e aprender a colaborar na evolução. 

No entanto, o maior perigo para a fé não vem de teorias de ateus e agnósticos inimigos da Igreja, mas de teorias de teólogos que põem em dúvida a veracidade histórica do Evangelho. Em nome de uma teologia que se diz científica passam a excluir do conteúdo da fé cristã tudo que seus preconceitos pseudocientíficos declaram como coisas impossíveis. Não acreditam na palavra do anjo que informou Maria sobre a gravidez da velha Isabel estéril para oferecer-lhe um apoio para sua fé, para que possa ver que nada é impossível para Deus. Até teólogos que se dizem católicos não acreditam que o Papa tem a missão de confirmar seus irmãos na fé e cuidar da unidade da Igreja. Levados pelas críticas de escribas e doutores da lei contra o Papa, muitos católicos nem procuram conhecer os ensinamentos do Papa.  Para cristãos do nosso tempo valem as palavras de Jesus: Convertei-vos e crede no Evangelho.

                     Texto tirado do meu Diário Raro de ontem.

Epifania 2012

janeiro 9th, 2012

 Festa da Manifestação do Amor de Deus às Nações

Hoje quero fazer uma tentativa de ler nas entrelinhas do Evangelho de Mateus que fala de visitantes que vieram de longe para estar com o menino Jesus em Belém.

O texto não diz que foram reis, nem que foram três. Talvez chefes de pequenas tribos árabes ou persas chamados de reis.       Tres presentes sugerem que foram três visitantes, talvez com acompanhantes.

Magos?  Na boca de descrentes, hoje seriam chamados de cientistas, astrônomos, astrólogos, ou de pessoas supersticiosas que pretendiam ver nas estrelas alguma mensagem do além. Na perspectiva da fé cristã, não seguiram apenas o brilho de alguma estrela, mas se deixaram conduzir por luz interior do Espírito Santo.

Sábios: Conhecedores de coisas desconhecidas para outros. O Evangelho não explica como ficaram sabendo que deviam seguir a estrela que os levou do oriente distante até Jerusalém. Simplesmente conta que ao chegar à cidade não viram mais a estrela e procuravam saber onde estava o recém nascido rei dos judeus.  

Parada em Jerusalém

Imaginemos o alvoroço dos judeus que conheciam as profecias sobre o Messias anunciado pelos profetas. Podemos imaginar o susto de Herodes que também sabia alguma coisa das antigas profecias. Era dele o título de rei dos judeus. Ele não tinha filho pequeno e reagiu à notícia de um concorrente de outra família ao trono dele.

Naquele tempo, os judeus esperavam um Messias glorioso que os libertasse do domínio do império de Roma e recuperasse e aumentasse a grandeza do povo eleito. Herodes procurou os estudiosos das escrituras, os teólogos daquele tempo, para saber onde deveria nascer o Messias. Esses citaram um texto do profeta Miquéias: De ti, Belém, sairá aquele que haverá de governar Israel.

Neste tempo de enfraquecimento dos fundamentos racionais da fé precisamos saber que as profecias sobre o Messias não foram coisas inventadas pelos cristãos depois dos acontecimentos para provar que Jesus era o Messias anunciado pelos profetas. São textos que estão também na Bíblia dos judeus que ainda esperam pelo Messias.  

Diante da notícia sobre o nascimento de um novo rei, Herodes mandou chamar os visitantes para saber quando foi que a estrela apareceu. Falou para eles ir a Belém e voltar depois com informações exatas sobre o menino. Fingiu interesse pela criança, mas suas intenções eram outras.

Esse Herodes era o pai de Herodes Antipas que trinta e poucos anos depois mandou cortar a cabeça de João Batista. O velho Herodes já tinha mandado matar até pessoas da sua própria família.  Ao ficar sem informações dos sábios do oriente sobre o menino da profecia, mandou matar os meninos de Belém até dois anos de idade, para garantir a eliminação de um possível concorrente ao trono. Não sabemos quantos meninos foram mortos em Belém. Não era cidade grande com centenas de meninos pequenos.

Todos ficam escandalizados com a crueldade daquele Herodes, mas numa civilização que se considera mais evoluída, a matança acontece cada dia em escala muito maior. Não existe cidade grande onde não são eliminadas milhares de crianças, impedidas por um aborto violento de vir à luz.  Não por um Herodes pagão para evitar a chegada de alguém que podia tornar-se um concorrente ao trono, mas por cristãos e outros que procuram eliminar um herdeiro que possa trazer dificuldades aos que tiveram o privilégio de nascerem antes.

Esse não seria um assunto a tratar na festa da manifestação do amor de Deus que veio estar conosco. São João explica que Deus nos amou ao ponto de entregar seu Filho para nossa salvação. Mas não posso deixar de tocar no problema do aborto, diante de tentativas sucessivas de justificar e legalizar práticas abortivas no Brasil e no mundo.

Muitos chegam a falar de um “direito da mulher” ao aborto. Falam como se o direito à vida não fosse o fundamental de todos os direitos humanos. Alegam que a Igreja não deve interferir na legislação civil. Para eles, falar em pecado é apenas coisa de religião.

O pior é que até alguns cristãos só fazem um esforço maior para evitar um pecado quando o mesmo é considerado crime pela lei civil e pode sofrer punições.

O ideal seria que qualquer cristão procurasse evitar qualquer pecado para obedecer aos mandamentos de Deus e à voz da consciência. Todo pecado já tem um castigo em si mesmo, nas suas consequências para o próprio pecador. Na realidade, devido ao egoísmo e à consciência relaxada ou à dureza do coração, a convivência de pecadores precisa do reforço da lei civil para proteger os direitos dos mais fracos.

Por outro lado, ninguém tem o direito de julgar e desprezar um pecador. Vítima de um aborto não é só a criança, mas a mãe também. Não precisa conhecer muitos dramas pessoais para saber como a consciência pesada faz sofrer, mesmo que psicanalistas e psicólogos e psicoterapeutas possam oferecer algum alívio superficial com tentativas de eliminar “complexos de culpa”. Muitos abortos começam com comportamentos irresponsáveis de homens egoístas. De namorados egoístas que depois pretendem consertar um erro com outro erro pior.

Para um bom entendedor, poucas palavras bastam. Para quem não quer entender, não adianta tentar aprofundar a reflexão.

Voltando ao assunto mais ameno da festa de hoje, procuremos imaginar o encontro dos sábios ricos com o menino Jesus e com Maria e José e alguns pastores de ovelhas na gruta pobre de Belém. Naquele ambiente, para que presentes de ricos, presentes de reis? Para que ouro, mesmo que pouco, se o Filho de Deus escolheu nascer em família pobre?

Tenho minha explicação pessoal. Como é que o pobre José, sem poder ganhar seu pão com seu trabalho de carpinteiro, podia enfrentar a viagem complicada com Maria e o menino pequeno através do deserto até chegar ao Egito distante?

Só se pudesse contar com a intervenção divina de muitos milagres. O presente dos sábios foi uma solução bem melhor, que não dispensava o esforço de José e Maria. Os presentes não livravam aquela família dos sofrimentos próprios da condição humana.

Nos nossos tempos surgem igrejas que fazem da religião um negócio e prometem aos seus adeptos todo tipo de milagres. Muitos apresentam a fé como coisa para pessoas preguiçosas que esperam que Deus venha fazer a vontade delas, em vez de fazer o que podem para realizar a vontade de Deus. Nem a igreja católica está livre de tendências interesseiras de uma piedade egoísta.  

Temos o exemplo de vida de Jesus e dos apóstolos, dos mártires e missionários, para perceber os desvios das pregações de “pastores” que prometem aos seus seguidores saúde e prosperidade.  

A pregação da Igreja deve ter a coragem de apresentar aos jovens de hoje as exigências do Evangelho inteiro com os mandamentos de Deus que proíbem de fazer mal aos outros e estão resumidos no mandamento do amor que procura fazer o bem a todos. Foi aos nossos cuidados que Deus confiou o futuro da terra que criou para todos.

Para 2012 até ?

dezembro 31st, 2011

O ANO NOVO É SEU PARA FAZER ACONTECER

No fim de um ano costumamos pensar nos dias que se foram, com sentimentos divididos entre queixas e agradecimentos, entre reconhecimentos e ressentimentos. Um mínimo de sabedoria nos ensina a não perder nosso tempo com lamentações sobre coisas que já não podemos mudar. Melhor cuidar de superar erros e pecados que ainda podemos reparar com novas atitudes de compreensão e perdão.

Ao nosso alcance está apenas o momento presente que nos é dado para preparar o futuro. Mas o nosso agir de agora depende das coisas que imaginamos e queremos para o tempo que vem.

Uma pergunta que todos temos na chegada de um ano novo é esta: O que será que este ano vai trazer para mim e para nossa casa? Para meu país e para o mundo?  Sempre digo que a pergunta mais importante a fazer é outra: O que é que vou fazer com os dias que ainda me são dados a viver?  —  A resposta a tal pergunta depende da situação do ambiente onde estou e para onde quero ir.  

As perspectivas mundiais parecem sombrias. No plano material, desastres naturais, conflitos e corrupção na política, agravamento da crise na economia mundial e nacional. No plano espiritual, aprofundamento da crise de fé que enfraquece os fundamentos do cristianismo e a motivação religiosa para superar o egoísmo individual e grupal.

Este ano teremos no Brasil um encontro muito importante para o futuro da humanidade:  A Rio+20, a Conferência da ONU sobre o desenvolvimento sustentável.  A terra está chegando aos limites dos seus recursos naturais. Não consegue oferecer a sete bilhões de habitantes um padrão de vida de ricos, coisa que muitos ricos e pobres querem acima de tudo.

Sem mudanças radicais de mentalidade e de atitude das pessoas e das nações vamos caminhar a passos largos para coisas piores que todas as guerras do passado.

O mundo está precisando de novos pregadores do tipo João Batista: Convertei-vos e fazei penitência. Produzi frutos que provem a vossa conversão!

Tentei imaginar o que o Batista diria hoje para cada tipo de pessoas: Para políticos, advogados, juízes, comerciantes. Também para teólogos, pastores, padres, bispos. Certamente não teria medo dede falar contra os pecados de corrupção e injustiça, de adultérios e abortos, contra a falta disposição dos cristãos ao perdão. Daria algum resultado, ou seria um novo pregar no deserto?  Reclamações não transformam o mundo que precisa de novas atitudes e novas ações.  

Amar o próximo como a si mesmo já não significa dar esmolas a mendigos, mas cuidar da construção de um mundo melhor para todos, onde cada um possa progredir com seu próprio esforço.  

Tempos atrás havia na Igreja discussões sobre um bolo. Setores considerados avançados diziam que o bolo dos bens materiais deveria logo ser distribuído melhor. Setores considerados conservadores diziam que não adiantava dividir o bolo ainda pequeno, que o mais importante era fazer o bolo crescer para todos.

Poucas décadas atrás, os conservadores ainda podiam dizer que a gastança dos ricos beneficiava os pobres com a criação de empregos. Agora, diante da ameaça de esgotamento dos recursos naturais, aquele argumento não vale mais nada. O bolo já está assado. O consumo não pode mais crescer. A terra está chegando ao limite das suas possibilidades. Especialistas dizem que o consumo mundial de água, de energia e de alimentos já passou além dos limites da capacidade de reposição da natureza.

Voltando ao bolo: A situação mundial agora é esta: Sete bilhões de habitantes têm à sua disposição um bolo de sete pedaços. Os mais ricos (um bilhão) devoram quatro pedaços. Os quase ricos (dois bilhões) comem dois pedaços. Dois bilhões de remediados comem o último pedaço. Para dois bilhões de pobres só ficam migalhas.

Para melhorar o padrão de vida dos pobres, os outros cinco bilhões precisam aprender a contentar-se com um padrão de vida mais modesto. Não existe outro caminho para enfrentar os resultados do aquecimento global. João Batista talvez dissesse a todos: Contentai-vos com um salário máximo de cinco salários mínimos.

Se todos seguissem tal conselho radical, teríamos um caos na economia. Mas esse perigo não existe, pois poucos aceitariam tal pregação, mesmo no Brasil católico, um dos campeões em desigualdade. Agora mesmo a imprensa noticia que o Brasil já tem 30 bilionários e 137 mil milionários, cada dia mais 19. Turistas brasileiros são os maiores gastadores em certos templos internacionais do luxo e da luxúria. Parte do dinheiro que eles gastam vem dos juros exagerados sobre a dívida pública interna e sobre compras a prazo e outros empréstimos que a propaganda faz o povo tomar.

Tudo indica que já não há sermões que consigam evitar as mudanças radicais de atitudes e mentalidades que ainda possam evitar as consequências desastrosas de um consumismo egoísta que não faz nenhum esforço para preparar um futuro melhor para todos.

Peço a Deus que você consiga realizar em 2012 as coisas boas que deseja fazer.

Atualizado em 02 de janeiro de 2012            + Cristiano Krapf, ainda Bispo de Jequié, BA

Ainda contra Belo Monte?

dezembro 29th, 2011

                               A propaganda mentirosa contra Belo Monte continua

De novo recebi um e-mail de pessoa bem intencionada e mal informada que pensa fazer uma boa ação participando de uma campanha contra a usina hidroelétrica de Belo Monte.  Desta vez foi de um padre que me parecia ter um mínimo de senso crítico diante de pressões de propaganda, seja da direita ou da esquerda.  Com uma ingenuidade espantosa recomendou um site com “esclarecimentos” sobre o Belo Monte.

Mesmo que meia noite já tinha passado, gastei mais um tempo para conferir filminhos com as tais “informações”, coerente com uma recomendação do apóstolo Paulo que procuro seguir desde pequeno: Examinai tudo!        Guardai o que for bom. O primeiro filminho já tinha visto: um belo monte de meias verdades e mentiras inteiras. Fiquei espantado quando vi que pretendem pressionar o Governo com um milhão de assinaturas que já conseguiram com uma semana de propaganda de artistas famosos. Não posso deixar de oferecer uma análise fria de alguns pontos:

1)      Vão inundar 640 km²  de florestas.  Isso é meia verdade. Boa parte já não é floresta. Por que é que os defensores da floresta não concentram sua força contra o desmatamento de uma área pelo menos dez vezes maior a cada ano, até com queimadas que não aproveitam nem a madeira? Ainda bem que o ritmo de desmatamento diminuiu, mas neste início de século já queimaram uma área duzentas vezes maior que a lagoa que vai enriquecer a paisagem do Xingu. Agora alegam que  uma obra tão pequena em área, e de tanta importância para toda aquela região e sua  população e para o Brasil inteiro vai deixar os índios sem floresta para morar. Não sabem que não existem índios de floresta na área a ser inundada? Quanto a uma centena de índios que moram na volta do Xingu, poderão ficar, ou mudar para a beira do lago. No plano material terão uma vida muito melhor. Com poucos anos de funcionamento da usina de Belo Monte, quase todos, índios e pretos e brancos vão dizer: Como é que alguém podia ser contra o progresso que ajudou a melhorar a vida de todos?

2)      O Povo Brasileiro vai pagar 24 bilhões para a usina do Belo Monte.  Tal afirmação é mentirosa, se não for completada com a informação que se trata de um empréstimo que será pago com juros e correção monetária, e com impostos sobre a energia produzida e sobre as construções e sobre o progresso da região. Seria mais importante que os defensores do dinheiro do povo se mobilizassem contra os juros absurdos sobre a dívida pública interna que transferem este ano dez vezes mais para o bolso dos ricos, perto de 240 bilhões em 2011, sem nenhum retorno para o povo, dinheiro que devia ser investido em infra-estrutura, em saúde e em educação. A começar em Belo Monte.   Nosso governo se gaba de transferir mais de dez bilhões por ano aos pobres através do bolsa família. Só em juros sobre sua dívida, uma quantidade maior é transferida aos ricos cada mês, desviando para o capital financeiro esse dinheiro que podia se investido para melhorar os serviços públicos para todos.

3)      Usinas hidroelétricas não fornecem energia limpa. Mentira inteira. Outros países têm inveja do Brasil por nossas grandes reservas de fonte de energia limpa nos nossos rios. Por não conseguir realizar outras fontes de energia limpa no ritmo necessário, o Brasil vai investir muitos bilhões por ano na construção e no abastecimento de usinas termoelétricas poluentes com a queima de derivados de petróleo ou de carvão. Até mesmo de carvão proveniente de madeira. Já falam de novo em impor ao Nordeste a construção de usinas atômicas. Algum defensor do meio ambiente acha tudo isso melhor?

4)      Existem outras alternativas melhores e viáveis de energia limpa.  Mentira.  Precisamos de outras fontes de energia, mas serão apenas complementares, pelas próximas décadas. Quanto à energia solar, é um absurdo que o Brasil seja um dos países mais atrasados  nesse setor, apesar de ser privilegiado pela natureza. Tenho umas propostas pessoais para uma tecnologia melhor. E tenho uma explicação muito segura sobre a razão principal do nosso atraso nesse setor: O investimento em energia solar tem um retorno muito lento. Leva muitos anos para pagar o dinheiro investido.    Com juros acima de 10 % por ano não se paga nunca. Quanto à energia eólica está de vento em poupa. Mas tem possibilidades limitados. Na medida que aumentarem as instalações das turbinas eólicas, vão aparecer protestos dos defensores do meio ambiente, como acontece em outros lugares. Por enquanto, o peso do dinheiro de aluguel para áreas pouco aproveitadas fala mais alto.

5)      Os mesmos setores que hoje criticam o Belo Monte já eram contra Sobradinho e contra Tucuruí. Se não fosse a força do regime militar, até para Itaipu teria sido difícil vencer a oposição. O que seria do Norte e do Nordeste hoje sem Tucuruí, e sem Sobradinho e as barragens rio abaixo? Havia protestos até contra a usina do Xingó no Nordeste que fornece a energia mais barata do mundo.

6)      Antes de tomar posição sobre uma obra tão polêmica, seria bom ouvir o outro lado também. Quem procura estar informado, pode ver informações oficiais no site www.blog.belomonte.com.br. Em vez de deixar-se  “ conscientizar” com propaganda tendenciosa de um lado ou de outro pode encontrar no Google um belo monte de informações para todo gosto.

7) O que é que vai acontecer com os pobres dos índios?  Para não gastar tempo com mais argumentos, tenho uma resposta simples para tal pergunta genérica feita com chantagem emocional do artista: Vão ficar menos pobres.

Natal 2011

dezembro 25th, 2011

Nas trevas do mundo surgiu uma luz

O evangelista Lucas começa seu evangelho lembrando os cuidados que teve para informar-se exatamente de tudo, para que possamos conhecer bem a firmeza da doutrina que aprendemos no Evangelho.

Não temos razões para desconfiar da sinceridade e da competência de Lucas, nem do apóstolo João que lembra a promessa de Jesus sobre o Espírito Santo que o Pai enviará para lembrar e fazer entender os seus ensinamentos.

Vivemos num século de perspectivas sombrias para o mundo e para a Igreja. A crise atual tem sua razão principal na fraqueza da fé. Num mundo cheio de racionalismo temos um cristianismo carente de fundamentos racionais da fé. Muitos católicos são católicos sem saber por que.

Os outros cristãos cada vez mais se dividem em seguidores de novos pastores. Fora das igrejas surgem pregadores de falsos valores que negam as razões e os valores da fé.  Sistemas políticas e econômicas trazem ao mundo perspectivas sombrias. Um mundo  de concorrência e carência caminha para guerras de fim de mundo. Neste contexto podemos ficar preocupados com uma pergunta estranha de Jesus: Será que o filho do homem, quando vier, ainda vai encontrar fé sobre a terra?

De onde podemos esperar uma saída da confusão atual, se não for de uma profunda mudança geral de mentalidades e atitudes. Tal mudança só pode vir de uma fé capaz de remover as montanhas da injustiça construídas pelo egoísmo que só procura tirar vantagem em tudo e coloca seus interesses pessoais acima do bem comum.

Um futuro melhor não se faz com demonstrações contra estruturas e sistemas, nem com protestos contra bancos e governos, mas com a conversão de pessoas de fé.  

 Mesmo que a fé seja essencialmente um dom de Deus, ela não dispensa o querer de cada um. A fé tem fundamentos racionais: milagres, profecias, e o valor incomparável dos ensinamentos de Jesus.  

Milagres têm força imediata apenas para quem vê. Atualmente perdem sua força pela propaganda de falsos milagreiros.

Os ensinamentos de Jesus só têm valor direto para quem procura conhecer a verdade. Deviam ter seu brilho reconhecido por todos na vida dos cristãos, mas nossos defeitos obscurecem o testemunho da fé.

Seria bom que todos conhecessem melhor as profecias antigas que se referem a Jesus. Não são textos inventados pela Igreja depois dos acontecimentos. Para saber que as profecias do Antigo Testamento foram escritas muitos séculos antes de Cristo não é necessário ter fé. As profecias sobre o Messias estão também na Bíblia dos judeus, que até hoje ainda procuram outras explicações para não aceitar que ser referem a Jesus.

Assim, aquelas profecias oferecem um apoio importante à fé racional do cristão. Algumas fazem parte das leituras do tempo do Advento e do Natal. Aparecem também nos melhores cartões de Natal.

Aqui algumas profecias que se referem a Jesus: 1) O próprio Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá, e lhe dará o nome de Emanuel  (=Deus conosco, Is 7,14)

2) Tu, Belém de Judá, … de ti sairá o guia que apascentará Israel, o meu povo. (Mq 5,1)

3) Eis que eu envio meu mensageiro diante de ti, afim de preparar o teu caminho, voz que clama no deserto: preparai o caminho do senhor! (Is 40,3, Ml 3,1)   (João Batista)

4) Profecias de Isaias sobre o Messias Sofredor que carrega o peso dos nossos pecados. Os judeus do tempo de Jesus esperavam um Messias vencedor que viesse libertar o seu povo da dominação de Roma e até hoje não aceitam a salvação de Jesus pela cruz.

Muitos dizem que queriam crer, se pudessem ver. Jesus, porém, diz: Feliz é quem crê sem ver. Tal promessa não se refere a uma fé sem fundamento, uma fé sem razão.  

Quando o anjo anunciou à virgem Maria que ela foi escolhida para trazer ao mundo o Salvador, o Filho de Deus, ela manifestou sua dificuldade diante do convite.   Por isso, o anjo lhe ofereceu um apoio racional para crer:   Veja que Isabel, considerada estéril e já idosa demais, também dará à luz um filho, e já está no sexto mês de gravidez.

 Para você poder ver que para Deus nada é impossível. Esse argumento do anjo para Maria vale também para nossa fé, para nós que raramente ou nunca presenciamos diretamente um milagre evidente.

Não assine sem conhecer!

dezembro 22nd, 2011

Propaganda enganosa contra Belo Monte

Acabo de receber de uma pessoa bem intencionada e mal informada mais um convite para assinar uma petição contra a construção da usina hidroelétrica de Belo Monte.  

Uma leitura superficial da proposta pode deixar a impressão de tratar-se de uma campanha brasileira.  Na realidade é de uma entidade internacional engajada também em projetos bons de proteção ambiental no mundo todo. A mesma apoiou também a nossa campanha contra a eleição de políticos de ficha suja.

Quanto à campanha internacional de assinaturas contra Belo Monte, infelizmente oferece propaganda enganosa deste tipo: Belo Monte seria maior que o Canal do Panamá, inundando pelo menos 400 000 hectares de floresta, expulsando 40 000 indígenas e populações locais e destruindo o habitat precioso de inúmeras espécies …Falam de um projeto devastador, um desastre ambiental.

Na realidade, a represa terá em torno de seiscentos quilômetros quadrados, 60 000 hectares. Não sei se a propaganda fez um erro elementar de matemática, ou se os autores desconhecem completamente a real dimensão do projeto. Além disso, será que não sabem que a maior parte da região a ser inundada já não é floresta? Não sabem que não haverá remoção de índios moradores de floresta? A não ser que prefiram ir morar na beira do novo lago. Quanto aos poucos índios que moram na favela insalubre sobre palafitas da cidade de Altamira, terão casas muito melhores, junto com os outros moradores da área a ser inundada.  

Faz tempo que recebi convite para apoiar a campanha internacional que já então contava com meio milhão de assinaturas conseguidas no mundo inteiro, com muita propaganda superficial e poucos argumentos consistentes.  Fiquei com a impressão que muitos assinaram sem conhecimento suficiente da importância daquela usina para o futuro do Brasil e da região.

Você tem plena liberdade de apoiar a campanha do contra, mas não faz sentido assinar sem conhecer. Para ter informações sobre os prós e os contras do Belo Monte, basta uma rápida procura na Internet.

Carta aberta para paroquianos descontententes

dezembro 19th, 2011

Uma Igreja desunida não consegue realizar bem a missão que Jesus lhe confiou.

Confirmar os irmãos na mesma fé e manter a Igreja unida é missão especial do Papa, e depende da colaboração dos bispos, dos padres, dos teólogos, e de todos os católicos. Manter a diocese unida é missão do bispo e depende dos padres e do povo da diocese. A unidade na paróquia depende do pároco e da boa vontade de todos os paroquianos.

O bispo é ajudante do bom pastor. Um pastor cuida do rebanho com os cachorros que tem. Quem não conhece a vida de um pastor que cuida das ovelhas com ajuda de cachorros pode estranhar tal comparação.  Fiz essa provocação para tentar fazer entender melhor as palavras de Jesus sobre o bom pastor. São comparações. Paroquianos não são ovelhas e párocos não são cachorros nem pastores. Nem Jesus é pastor. Paroquianos são pessoas que têm seu próprio querer e seus direitos e devem ser tratadas como gente. Padre também é gente, com suas qualidades e suas limitações.

Muitos encontros de formação têm um tempo de “pergunte ao bispo”. Certa vez, me fizeram este questionamento: Padre, o Pai-Nosso está errado!?!  Ao pedir que Deus nos perdoe assim como nós perdoamos, indiretamente pedimos a Deus que não nos perdoe, se ainda não aprendemos a perdoar.

Não é o Pai-Nosso que está errado. Jesus até acrescentou um reforço: Quem não perdoa, não pode contar com o perdão de Deus. Mesmo no convívio familiar surgem situações que necessitam de perdão. Numa paróquia, às vezes um paroquiano precisa suportar os defeitos do pároco, perdoar palavras ou atitudes que ofendem. Outras vezes é o pároco que precisa perdoar ofensas de paroquianos que falam dele.

Nem todos têm costas largas como eu. Críticas injustas não me atingem. Construtivas ajudam a melhorar. Reclamações sobre decisões do passado que já não podem ser mudadas não servem para nada. Tipo assim: tal padre não devia ter sido ordenado.  

O bispo que quiser ter garantia de ter apenas padres santos e perfeitos, não pode ordenar ninguém. Aliás, alguns padres santos foram exigentes e tiveram conflitos. Mas, ser exigente com os outros não é prova de santidade. Para o serviço sacerdotal, Deus não escolhe anjos do outro mundo, mas pessoas humanas desta terra. Entre os apóstolos escolhidos a dedo, surgiu um traidor. Pedro também tinha seus defeitos. Mesmo assim, Jesus o confirmou para confirmar a Igreja na fé.

Concluindo: Paroquianos têm o direito de queixar-se ao bispo. Mas não posso receber uma multidão de acusadores com queixas genéricas. Quem tiver suas queixas pessoais ou presenciou ofensas contra outros, ponha por escrito, com assinatura e endereço, e mande por um portador de confiança. Não quero saber de fofocas ou queixas ouvidas de outros que falam do padre.   Jequié, 19/12/11        +Cristiano, ainda bispo de Jequié

Fé para Pensadores

dezembro 10th, 2011

A importância da Inteligência na Fé

Recebemos a capacidade de pensar para conhecer os mistérios da natureza e da própria consciência e o sentido da nossa existência.  A maior confusão que surgiu nos vinte séculos de religião cristã é a oposição entre ciência e fé. Teorias provisórias sobre Origem e Evolução de tudo abalam o fundamento racional de um conhecimento de filosofia sobre um arquiteto/criador/programador de toda matéria/energia/espírito.

Com rumores de guerras globais e esgotamento das reservas naturais, está pairando no ar um clima de fim de mundo. Segundo previsões de um calendário Inca seria no ano 2012. Sociólogos falam de um enfraquecimento crescente da fé nos países de longa tradição cristã.  A Bíblia tem uma pergunta estranha sobre os tempos finais: “Será que o Filho do Homem, quando vier, ainda vai encontrar fé na terra?”

Dizem os teólogos que a fé é dom de Deus. Tal afirmação tem fundamento na Bíblia, mas é apenas metade da verdade. A revelação divina na Bíblia não é feita na linguagem das ciências exatas sobre coisas materiais. A fé depende também do querer de cada pessoa.  Se a fé inteira fosse dom de Deus, um dom oferecido a uns e negado a outros, a culpa pela falta de fé também seria dele.

Nem tudo na Bíblia é Palavra de Deus. O Antigo Testamento tem muitas páginas de palavras humanas sobre a história do povo judeu. Outros textos apresentam interpretações humanas sobre intervenções divinas realizadas para oferecer um fundamento racional à fé.  

Uma parte importante dessas intervenções divinas na história humana são revelações recebidas por mensageiros escolhidos para preparar o ambiente para a chegada do Messias Salvador. “Muitas vezes e de vários modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias falou-nos por meio do Filho”. (Hb 1) Para revelar realidades divinas desconhecidas, o Filho de Deus veio estar conosco e nos falou em palavras humanas de comparações com coisas da vida terrena que seus ouvintes conheciam.

Os jovens de hoje crescem numa confusão de “verdades” e “valores”, num relativismo que traz um vazio espiritual de incertezas sobre o caminho para um futuro melhor. Um dia perguntei a um jovem sobre suas idéias a respeito de Deus.    A resposta foi desconcertante:  “É um assunto que não me interessa”. Muitas pessoas andam tão ocupadas com as coisas do mundo que não têm tempo para filosofia e religião.

O Papa questiona o relativismo intelectual e moral, a confusão entre a verdade e o erro, entre o bem e o mal, a mistura de fé com superstição. Faltam fundamentos racionais para uma fé capaz de remover as montanhas do egoísmo e do comodismo. Uma fé sem razão não resiste aos ataques do racionalismo que combate a fé em nome da razão.

Não fique esperando por uma intervenção especial de Deus para mudar os rumos de sua vida, como experimentou Saulo, perseguidor de cristãos que caiu do cavalo e se tornou o grande missionário Paulo.  Saulo não era um jovem que não queria nada.  Era um estudioso que fazia o que depois passou a recomendar aos outros: “Examinai tudo, guardai o que for bom.

Faz vinte séculos que cruz é sinônimo de sofrimento. Não existe vida sem sofrimento.   Doenças fazem parte da vida. Além dos sofrimentos do corpo, carregamos o sofrimento da alma, das incompreensões e dos nossos defeitos, fraquezas, frustrações, decepções.

Todos têm problemas e preocupações. Quem não tem, inventa. Reclamar do sofrimento é aumentar o seu peso. Jesus recomenda que aceitemos e carreguemos a cruz de cada dia. Duvido que algum psicólogo possa inventar um conselho melhor.

No entanto, para quem quiser algo mais na vida, além da passividade da resignação diante de sofrimentos inevitáveis, Jesus tem uma recomendação mais exigente: Quem quiser ser meu discípulo, tome sua cruz para me seguir. Tal conselho não é coisa só para padres e freiras.

O padre tem um compromisso maior de discípulo missionário do Cristo e precisa ser radical na sua dedicação integral ao serviço do povo de Deus. Mas todo cristão precisa ter a disposição para carregar a cruz das exigências dos mandamentos de Deus e para colocar o bem comum acima dos interesses pessoais. Não há futuro para a humanidade, se os jovens de hoje não aprendem a renunciar às tentações da riqueza e do comodismo, do alcoolismo e das drogas, do sexo sem amor e responsabilidade. Não há caminho de salvação sem os sacrifícios exigidos pelos mandamentos de Deus que nos ensinam a conviver melhor na terra.

Jequié recebeu ontem a visita de um quadro de Maria com o menino Jesus, junto com a Cruz da Jornada Mundial da Juventude no Brasil em 2013. Esta cruz traz um questionamento para quem  procura fugir da cruz. O padre Marcos, um Passionista que carrega uma cruz pesada de doença, nos falou sobre o sacrifício do Cristo na cruz para nossa salvação.

Um ano antes da JMJ no Rio de Janeiro teremos o Rio+20 que precisa conseguir que todos os países assumam compromissos radicais para enfrentar o esgotamento iminente dos recursos naturais. O mundo precisa de leis eficazes para proteger a natureza. O nosso século precisa de jovens que dediquem sua vida à construção de um futuro melhor para todos.

Ter um espírito crítico sobre coisas do passado e do presente é próprio do jovem, mas de críticas o mundo está cheio. Para que servem críticas genéricas ao sistema bancário? Tente imaginar um mundo moderno sem bancos. Para que servem críticas estéreis ao capitalismo e ao liberalismo, e ao neoliberalismo que ninguém sabe direito o que é? Depois da experiência negativa com o comunismo/socialismo real, existem alternativas viáveis?

O capitalismo real está cheio de defeitos, mas ainda não inventaram nada melhor para os tempos da tecnologia.     O problema do mundo não está no capitalismo, mas no egoísmo.      Só teremos um mundo melhor com pessoas melhores.

A missão da Igreja é colaborar na formação de jovens que consigam superar o egoísmo de pensar apenas na sua própria vidinha. Jovens que tenham a coragem de carregar a cruz dos sacrifícios de uma vida de serviço.  Jovens que tenham a coragem de fazer a sua parte para o presente e o futuro da humanidade.  Fé não é esperar de Deus a solução dos problemas do mundo.           O Criador todo-poderoso nos deu o poder de cuidar da terra que nos deu por morada.

Vejo agora que faz um ano que fiz um artigo com a pergunta: Acreditar em Evolução?

Preocupações e Sugestões de um Cidadão

dezembro 1st, 2011

 Propostas de um Observador Atento

No meu tempo de padre em Ubatã, quando o pároco ainda era chamado de vigário, a igreja era bem pequena e ficava fora da cidade. Mas junto à praça central existia um terreno reservado por muitos anos para uma igreja maior.

Fiz uma planta, pedi ajuda na Suiça e convoquei um mestre de obras. Com a colaboração de paroquianos de boa vontade conseguimos construir uma igreja nova. Outros questionavam a construção de uma igreja tão grande para tão poucos fiéis.

A construção é baixa e não tem torre. Mas tem bocas de som para transmitir músicas boas e recados para o povo. Depois, um prefeito levantou a praça na frente em meio metro, talvez para burros não comerem as flores.     A praça mais alta deixou a igreja parecer ainda mais baixinha. Agora, com quase 33 anos de bispo em Jequié, tenho preocupações com o presente e com o futuro:

1.PRAÇAS:   Prefeitos gostam de fazer praças. Acho que o primeiro passo seria um projeto para ouvir o povo e aproveitar sugestões para evitar tolices como gastar dinheiro com árvores grandes trazidas de longe. Ainda bem que a praça Rui Barbosa tornou-se um bom lugar para encontros de amigos. Mas era o momento certo para construir garagens subterrâneas debaixo da rua de cima.

Ouvi dizer que existe projeto para urbanizar a praça da antiga feira. Talvez se possa aproveitar a área térrea para um grande estacionamento, com uma bela praça para eventos em cima. Outra solução seria proibir carros particulares no centro em horário comercial e oferecer estacionamentos periféricos. Por enquanto, isso é solução para cidades maiores, onde o aumento de carros vai deixar o trânsito inviável. 

2. PISCICULTURA:   Numa viagem até a barragem, o projeto de apoio à piscicultura me deixou uma impressão de abandono. Acho que é um projeto importante que merece continuidade. Será que falta interesse em receber alevinos? A barragem e o Rio das Contas já estão cheios de peixes?

3.DENGUE:  O mosquito da dengue ataca de novo. Todos precisam participar da caçada ao mosquito.  Coisa pior que a proliferação do mosquito da dengue é a proliferação da praga das drogas. Não é tarefa da Igreja perseguir traficantes. Cabe à polícia enfrentar o comércio lucrativo dos entorpecentes. Nossa Missão é oferecer aos jovens a vacina das advertências e oferecer a motivação da fé para dar um sentido maior à vida.

Dizem que existem por aí pontos de venda de drogas. Será que só a polícia não sabe? Não sei se adianta enfrentar traficantes com sermões, mas sei que pessoas que estragam o futuro de jovens para ganhar dinheiro com o sofrimento de viciados não estão apenas infernizando a vida dos outros. Estão descendo pela estrada que leva ao inferno. Policiais que aceitam suborno de traficantes também, e políticos corruptos.

4.AMBIENTE:     Estou preocupado com a radicalização de ambientalistas que atrasam a construção de usinas hidroelétricas, de portos e ferrovias e outras obras de grande importância para a região e para o país inteiro. Se for preciso esperar até que o último morador da área se declare contente com a indenização por sua propriedade, não será possível construir nenhuma obra grande.

O Brasil precisa de um Código Florestal equilibrado e viável que saiba conciliar a produção de alimentos com a proteção do ambiente. Ambientalistas radicais fazem de tudo para impedir a aprovação do novo código florestal no senado.

 Querem criminalizar produtores rurais que desbravavam terras em tempos anteriores às exigências de leis que vieram depois. Querem expulsar os agricultores para longe dos rios e destruir até cafezais e laranjais e vinhedos plantados em morros. Outros extremistas perturbam a paz do campo apoiando invasões de propriedades rurais produtivas.  

 Nasci num país onde se planta muito em morros e montanhas. Um país onde existe uma área boa de proteção ambiental num parque nacional. As outras florestas são aproveitadas para madeira, com a obrigação de replantar a mesma área. Coisa muito melhor que deixar a madeira apodrecer ou ser destruída pelo fogo.

Aqui na Bahia estou fazendo um experimento de plantio de floresta numa região de clima difícil. Quero despertar o interesse de outros para encher de florestas o sertão e muitas áreas degradadas. Com cem milhões de hectares de novas florestas,  até o clima do Nordeste pode melhorar.

Os ambientalistas que procuram impor suas leis rigorosas de proteção de rios e lagos aos proprietários rurais deveriam cuidar também do futuro dos rios nas cidades. Jequié não pode esquecer que o Rio de Contas pode voltar a ter enchentes, e que todo ano terá muitos meses sem chuva. Irrigação, sim, desperdício de água não.  Os tempos de águas abundantes e baratas estão com os dias contados.

O mesmo cuidado que protetores da natureza querem cobrar do homem do campo deve ser exigido dos moradores da cidade. Em vez de permitir construções na beira do Rio das Contas, a coisa mais urgente seria uma Avenida Beira-Rio com ciclovia e calçada para pedestres e proibição rigorosa de construções e sujeiras do lado do rio. Em compensação, construções e terrenos do outro lado ficariam valorizados. 

Jequié, 1 de dezembro de 2011

Sequestrar gás carbono e substituir gás natural

novembro 23rd, 2011

Questionamentos ligeiros do MC, 1

Imaginando que pensamentos maiores são lidos apenas por pensadores de pendores filosóficos, o MC resolveu apresentar ao exame atento de pessoas competentes e dos detentores da ciência e do poder algumas idéias menores sobre questões do futuro do homem na terra.

  1. A Petrobrás diz que não pode garantir um fornecimento suficiente de gás natural para o futuro, nem mesmo para esta década. Razão: Muito gás deverá ser injetado nos poços do pré-sal para fazer o petróleo subir das profundezas das suas jazidas.
  2. Por outro lado, para diminuir o efeito estufa causado pelo CO2 produzido em usinas de carvão e óleo surgiram propostas de armazenamento de dióxido de carbono em cavidades subterrâneas. Tais propostas foram descartadas por seu custo.
  3. O MC propõe uma solução conjunta para os dois problemas: Injetar em poços do pré-sal, e em outros poços velhos ou novos de pressão insuficiente, o CO2 produzido por termoelétricas e outros poluidores do ar.
  4. Melhor ainda: Fazer uma circulação fechada: Levar gás natural de poços de petróleo para usinas movidas a gás, e levar o gás carbono produzido nas usinas de volta para injetar em poços de pressão insuficiente. Como saldo teremos uma boa quantidade de energia elétrica e de gás natural, e um custo menor na produção de petróleo, além da diminuição de gases de efeito estufa na atmosfera. Resumindo: Com um só tiro podemos atingir quatro alvos importantes.
  5. O MC acha que não é bom jogar fora sem examinar idéias que não constam dos manuais ensinados nas escolas. Entre muitas idéias que parecem malucas podem surgir algumas que possam ser aproveitadas. As idéias do padre Landell de Moura de transmitir a voz sem fios pareciam a muitos paroquianos daquele tempo coisa de feitiçaria.

Para terminar, um pequeno exercício de reflexão sobre textos anteriores no Blog, sobre questões de economia: ( Antes de ler o número 3, anote suas respostas à primeira pergunta e à segunda)

  1. Quem é que recebe os lucros fabulosos dos juros no Brasil?
  2. Para alguns ter tanto lucro, outros devem pagar outro tanto.  Quais são os pagadores?
  3. Procure descobrir nos jornais e nas revistas quem defende juros altos, e tente distinguir entre as razões e os pretextos deles, lembrando que pessoas que querem  alguma coisa produzem e propagam argumentos a favor.

Jequié, 23/11/2011